Tudo o que achamos saber sobre o vício está errado [vídeo]

O vício é uma coisa terrível. É ainda mais terrível quando as pessoas estão viciadas e não se dão conta, ou entram em negação – clássico dos viciados, certo? Eu não sou alcoolico, só gosto de beber álcool (todos os dias). Eu não sou viciado no ipad, só gosto de jogar nele (todos os dias e a todo o momento, se mo deixarem). Nós, meros seres humanos, temos que aprender a disciplinar-nos no sentido de nos apercebermos rapidamente que aquilo que gostamos de fazer nos começa a controlar, em vez do contrário. Seja com comida, tabaco, exercício, drogas ou gadgets, os vícios comprometem a nossa proactividade, saúde e, ao final das contas, a nossa felicidade. Mas o que é que as leva a deixarem-se levar pelos vícios? Eu, por exemplo, bebi álcool em Erasmus como se de água se tratasse (sim, mãe, estou a exagerar para provar um ponto de vista) e não fiquei viciada. Porquê?

Tenho orgulho em viver no único país onde o consumo de drogas pesadas já é encarado como uma doença e não como um crime. O consumo de drogas foi despenalizado em 2001. Em vez de punir e rebaixar os consumidores, a abordagem passou a ser tratá-los e reintegrá-los na sociedade. Dar-lhes, no fundo, propósitos pelos quais lutar. Esta foi uma jogada muito hábil que permitiu baixar em 50%  o consumo  de drogas injectáveis em Portugal nos últimos 15 anos.

Johann Hari fez um brilhante discurso sobre o vício (que podem ver aqui), desmantelando mitos que continuam a ser tidos como verdadeiros. Hari conclui que o vício resulta de uma necessidade de compensação emocional, sendo que é por aí que se encontra a saída de um ciclo potencialmente fatal: através da (re)conexão – com os outros, com o mundo à nossa volta e sobretudo connosco. O vídeo que partilho é um resumo animado de cinco minutos, com os pontos mais importantes daquilo que Hari partilha na Ted Talk.

Toda esta questão da reconexão consigo próprio angustia-me, porque não deveria ser um imperativo. Visto que é uma necessidade vital, deveria ser algo natural em nós, desde que nascemos até que morremos. Não deveria ser suposto alguém ter de nos lembrar disso. E, mesmo assim, aqueles que insistem em fazê-los são geralmente encarados como doidos. Isto lembra-me um belo livro que (felizmente) tive de ler no secundário, O Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Confesso que na altura não achei muita piada, mas hoje faz-me todo o sentido. O mundo está cada vez mais instantâneo e mecanizado – é verdade que é bom para muita coisa, mas…

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O maravilhoso mundo de Adina Rivers

Sabem aqueles momentos na vida em que de repente se dá um clique, e tudo (ou quase) passa a fazer imenso sentido? A era da informação pode propiciar esses momentos mas também pode encher-nos de tanto lixo e ideias feitas, que às vezes é difícil separar as águas.

Eu debato-me frequentemente com questões como a falta do contacto com a natureza num mundo cada vez mais “civilizado”. Esta perspectiva de que a natureza é uma outra coisa é uma tendência que, na minha opinião, deve ser contrariada. Eu sei, não é fácil. Eu achava que não era uma rapariga da natureza. Afinal, nasci na cidade, adoro todas as potencialidades do mundo urbanizado, condeno tantas outras, e sempre achei que me encontrava algures num equilíbrio entre a mão humana e o mundo em que habito. Mas nunca ninguém me veria a querer escalar uma montanha, ou a fazer caminhada, a acampar no meio da mata. Eu simplesmente achava que não era esse tipo de pessoa. Entretanto, cresci e aprendi que toda a gente é esse tipo de pessoa, mas a maioria de nós, sobretudo citadinos, desconectou-se do que é o natural. Inclusivamente, muitos de vós estarão quase a fechar esta janela por acharem que o meu discurso é todo New Age. Calma. Hoje vamos falar de sexualidade.

Há cerca de meio ano descobri no youtube a existência de uma mulher profundamente iluminada chamada Adina Rivers e os vídeos dela transformaram completamente a forma como encaro o meu corpo, a minha sexualidade e o mundo, no geral. Para mim ela é uma espécie de guru nestas áreas, sempre calma, humilde e bem informada e bem resolvida com a vida. Para mim, ela apregoa a tudo aquilo o que eu acho que é a forma ideal de viver. É suficientemente corajosa e capaz de falar sobre amor, sexo e técnicas sexuais, vaginas, pénis e mamas sem vergonha, culpa ou agressividade, conferindo ao tema a dignidade, abertura e beleza que ele merece.

Neste vídeo, ela fala sobre nudez. Qual foi a última vez que estiveste em nu integral (e sóbrio/a) perante um desconhecido? E se te lembras disso, como é que te sentiste?

Porque é que a nudez é uma coisa tão pouco natural para nós? E, mais importante ainda, porque é que insistimos em menosprezar o nosso corpo num ciclo vicioso de maus hábitos, de pensamentos negativos e de construção de uma imagem de nós próprios errada? Porque é que é tão difícil aprendermos a amar o nosso próprio corpo e a sentirmo-nos confortáveis na nossa pele? E porque é que é importante contrariarmos essas ideias? Este é mais um daqueles assuntos sobre os quais quero escrever testamentos infindáveis, mas por hoje deixo-vos com o vídeo da Adina, no qual ela se despe emocional e literalmente.